O Governo do Piauí concedeu reajuste salarial de 5,6% aos servidores públicos estaduais, mas, no mesmo período, homologou um aumento exatamente igual nas contribuições do Plano Médico de Assistência e Tratamento (PLAMTA). Na prática, o ganho anunciado acabou sendo totalmente absorvido pelo novo desconto aplicado ao plano de saúde.
A situação gerou forte repercussão entre os servidores, que afirmam não ter percebido melhora real no salário. Para muitos, o reajuste que deveria recompor parte das perdas inflacionárias acabou retornando aos cofres públicos por meio do aumento na contribuição obrigatória.
Além do impacto financeiro, o PLAMTA também é alvo constante de críticas relacionadas à qualidade do atendimento, cobertura limitada e dificuldades enfrentadas pelos usuários em diversas regiões do estado.
Enquanto isso, o governo estadual destinou mais de R$ 500 milhões ao programa Piauí Saúde Digital, sistema que vem sendo alvo de reclamações e questionamentos sobre funcionamento. A contratação do serviço também está sob investigação do Ministério Público.
Servidores e lideranças sindicais ainda denunciam problemas estruturais na saúde pública estadual, como hospitais com deficiência de atendimento, falta de materiais básicos e cancelamento de cirurgias.
O cenário aumentou as críticas à gestão do governador Rafael Fonteles, especialmente entre categorias do funcionalismo público, que cobram valorização salarial real e melhorias efetivas nos serviços de saúde oferecidos pelo estado.

