sábado, fevereiro 7, 2026

Fim dos orelhões: telefones públicos serão retirados das ruas em todo o Brasil

Símbolos de uma época em que a telefonia móvel ainda não fazia parte do cotidiano dos brasileiros, os tradicionais “orelhões” começam a desaparecer das ruas. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) inicia, a partir de janeiro, a retirada definitiva dos telefones públicos em todo o país. Na região de Araraquara e São Carlos, ao menos 1.339 aparelhos, distribuídos em 42 cidades, devem ser desativados.

A cidade de Araraquara lidera o ranking regional, com 118 orelhões ainda instalados, seguida por São Carlos, com 107. Na sequência aparecem Araras (104), Rio Claro (95) e Leme (65). Já municípios como Águas da Prata, Analândia, Boa Esperança do Sul, Corumbataí e outras 13 cidades da região contam com apenas 15 telefones públicos ativos cada.

Segundo a Anatel, ainda existem cerca de 38 mil orelhões em todo o território nacional. A retirada ganha força agora porque, em 2025, chegaram ao fim as concessões do serviço de telefonia fixa das empresas responsáveis pela manutenção dos aparelhos. Com o encerramento dos contratos, companhias como Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica deixam de ter obrigação legal de manter a infraestrutura dos telefones públicos.

A extinção, no entanto, não será imediata em todos os locais. A partir de janeiro, a prioridade será a remoção em massa de carcaças e aparelhos já desativados. Os orelhões deverão ser mantidos apenas em cidades onde não há cobertura de telefonia móvel, e mesmo assim somente até 2028.

O processo de retirada já vinha ocorrendo de forma gradual nos últimos anos. Dados da Anatel mostram que, em 2020, o Brasil ainda contava com aproximadamente 202 mil orelhões espalhados pelas ruas. Atualmente, mais de 33 mil aparelhos seguem ativos, enquanto cerca de 4 mil estão em manutenção.

Como contrapartida pela desativação definitiva dos telefones públicos, a Anatel determinou que as operadoras redirecionem os recursos antes destinados aos orelhões para investimentos em redes de banda larga e telefonia móvel, tecnologias que hoje concentram a maior parte da comunicação no país.

Com isso, os orelhões, que marcaram gerações e fizeram parte do cotidiano urbano por décadas, caminham para se tornar apenas lembranças de uma era anterior à popularização dos celulares e da internet móvel.

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