quarta-feira, janeiro 14, 2026

Base evangélica abandona Eliziane Gama e enfraquece projeto eleitoral da senadora

O distanciamento entre a senadora Eliziane Gama (PSD) e o eleitorado evangélico do Maranhão deixou de ser apenas ruído de bastidores e começa a ganhar contornos concretos no cenário político com vistas às eleições de 2026. Lideranças religiosas, pastores e fiéis que historicamente caminharam ao lado da senadora passaram a manifestar, de forma cada vez mais aberta, insatisfação com sua atuação parlamentar e já sinalizam que o apoio concedido em eleições anteriores dificilmente deverá se repetir.

Nos últimos meses, o clima nas igrejas é de ruptura. A avaliação predominante entre evangélicos é a de que Eliziane se afastou das pautas que a projetaram politicamente, especialmente aquelas ligadas a valores morais, familiares e à defesa de princípios caros ao segmento cristão. Em seu lugar, segundo essas lideranças, a senadora passou a adotar posições vistas como incompatíveis com a base que a sustentou eleitoralmente ao longo de sua trajetória.

O resultado tem sido um processo silencioso, porém contínuo, de esvaziamento político. Pastores influentes, que antes declaravam apoio público, hoje adotam postura de distanciamento ou silêncio estratégico. Em conversas reservadas, muitos afirmam que a confiança foi quebrada e que o eleitorado evangélico busca novos nomes que representem, de forma mais clara, suas convicções no Congresso Nacional.

Esse movimento preocupa aliados e observadores da cena política maranhense. O segmento evangélico teve papel decisivo nas vitórias eleitorais da senadora, funcionando como uma base organizada, capilarizada e altamente mobilizada. A perda desse apoio pode representar um obstáculo significativo para qualquer projeto eleitoral futuro.

Embora Eliziane Gama ainda mantenha presença institucional e visibilidade nacional, o afastamento de uma de suas principais bases levanta dúvidas sobre sua capacidade de recompor alianças até 2026. Para analistas, o desafio não será apenas eleitoral, mas simbólico: reconquistar a credibilidade junto a um público que se sente, hoje, politicamente órfão.

Enquanto isso, o vácuo deixado tende a ser ocupado por novas lideranças que dialoguem diretamente com o eleitorado evangélico, tornando o cenário ainda mais competitivo e imprevisível nos próximos anos.

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